Riba entre Joaquinzão Dirceu e Che.
Que vai para o céu?
Quem vai para o inferno?
Recebi do amigo Prof. Ribamar de Castro Carvalho o artigo, publico no cantinho do colaborador. A opinião é dele.
O episódio do mensalão provocou uma reviravolta no meu modo de pensar, mudou completamente algumas convicções que eu carregava desde a minha juventude. Agora sob a luz destes fatos estou revendo e compreendo de outra maneira toda a história que vi e vivi até aqui.
Eu aprendi que no modo de produção capitalista a acumulação primitiva de capital é o roubo puro e simples, aprendi também que o lucro deste capital da burguesia é a apropriação indébita do trabalho não pago do proletariado, portanto expropriar a burguesia não era nenhum crime, pelo contrário, era um ato extremo de fazer justiça revolucionária.
Li que na história da revolução russa de 1917, os bolcheviques assaltaram um trem de transporte de dinheiro. Esta expropriação foi necessária, pois o jornal do partido precisava destes recursos para se manter. Vi o Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR8), a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e a Aliança de Libertação Nacional (ALN) promover assaltos a bancos e roubarem o famoso cofre do ex- Governador de São Paulo, Ademar de Barros, estas expropriações tinham o objetivo de fazer finanças para a luta armada contra a ditadura. Eu, obviamente, concordava com essas expropriações, pois foram necessárias para a luta revolucionária, tanto na Rússia como no Brasil.
Passado o período da luta revolucionária propriamente dita e iniciada a luta política pelo poder no Brasil – no caso da Rússia já era há muitos anos a luta política pela manutenção do poder – nós, “revolucionários brasileiros” aprendemos com os políticos burgueses que se devia fazer finanças através de negociações com o erário público e não mais assaltando bancos ou roubando cofres, pois neste período isto era crime. Definimos então, que os políticos burgueses quando desviam o dinheiro público fazem corrupção, mas revolucionário quando desvia dinheiro púbico faz expropriação para financiar a luta política, o partido e etc.
Até aqui eu pensava que o desvio de dinheiro público através de negócios para a luta política não se constituía em um grande problema para a sociedade, e que a crítica da imprensa burguesa não passava de falso moralismo ou de herança udenista, pois o mais importante era a luta pelo socialismo utilizando qualquer método, até mesmo a eufêmica expropriação da burguesia que é sinônimo de corrupção.
Hoje diante do julgamento do processo do mensalão entendi a verdadeira extensão da corrupção e percebi o seu poder corrosivo, pois esta maldita prática corrói qualquer tipo de moral, qualquer princípio e qualquer ideologia. Ela libera todas as taras e instintos individuais que vão além da luta política, promove a acúmulo primitivo de capital e faz do delinquente um novo-rico, um burguês bem-sucedido.
Somente agora pude perceber que a queda do socialismo na União Soviética e em todo o leste europeu foi determinada pela corrosão que a corrupção promoveu nos partidos comunistas daquela região. Agora, me bate uma melancolia e o lamento por não ter existido um Joaquim Barbosa bolchevique para colocar os corruptos e milionários: Gorbachev, Yeltsin, Putin e outros quadrilheiros do partido russo na cadeia, e assim salvar a Revolução Russa.
Este julgamento já quase concluído, deixa em mim a sensação de que no Brasil qualquer pessoa, e principalmente a juventude que pretenda ser revolucionária não vai se espelhar nestes exemplos que foram julgados e condenados pelo ilibado Juiz Joaquim Barbosa. Acredito agora na possibilidade de resgatarmos novamente os exemplos dos verdadeiros revolucionários que nunca se deixaram dominar pelas vaidades burguesas, pela realeza do poder e, portanto blindados contra a corrosão da corrupção. Lembro nesta hora de vários exemplos de revolucionários blindados, mas quero citar um dos Comandantes da Revolução Cubana que pelo fato de ser comandante, já tinha muito poder, porém assumiu os cargos de Ministro da Agricultura e Ministro da Fazenda naquele país, ele, o revolucionário, largou todo este poder para morrer em mais uma empreitada revolucionária nas selvas bolivianas. O Che Guevara jamais seria condenado por corrupção pelo Juiz Joaquim Barbosa!
p.s. Abaixo encontra-se a carta de despedida que o Comandante Che Guevara enviou para Fidel Castro. Nesta carta ele expõe de forma cristalina a moral revolucionária que não pode ser corroída pela corrupção e nem condenada por nenhuma justiça burguesa.
Carta de Che à Fidel, aqui.