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terça-feira, 19 de abril de 2011

O insigine viajante

Este causo perde-se na noite dos tempos, com varias versões.
Esta eu ouvi na casa de meu avô e os personagens são Barata e Getúlio.
O governador do Pará visitava o presidente Getúlio Vargas, na então capital federal, Rio de Janeiro, onde fora recebido pelo próprio, no cais do porto, com honras, pompas e circunstâncias.


No retorno à Belém o ministro da Justiça representou o presidente e deu-lhe o recado:
- Incumbiu-me o senhor presidente de transmitir ao insigne viajante os melhores votos de feliz viagem.
Respondeu Barata:
- Transmita ao insigne ficante meus sinceros agradecimentos.
O interessante desta história era a interpretação que a ela davam baratistas e anti-baratista.
Os últimos contavam-na para demonstrar a rudeza do governador. Já os seu admiradores, quando a admitiam como verdade, usavam-na para demonstrar a sagacidade do líder e comentavam.
- Barata, não gostando de receber as despedidas do ministro da Justiça, queria o presidente, ao se fazer de tolo, deu o troco.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Para ler de cabeça fria ou depois das eleições se pode conversar

No dia 17/10/2010, a Falha de São Paulo publicou matéria com o seguinte título:
Sociólogo e fundador do PT afirma que 'Lula é mais privatista que FHC'
Evidente que o intuito da Falha era o jogar gasolina na fogueira do debate de quem privatizara mais, o meu é de de ressaltar um outro aspecto, o do reconhecimento dos méritos do Getúlio Vargas por um eminente cardeal do antigo petismo.
O PT sempre desconsiderou Vargas. Achavam que tudo tinha começado com eles.
Recentemente Lula tem se referido ao velhinho, e agora se colocado como em sua linha sucessória, por isso Chico Oliveira se apressa em advertir: Lula, é bom que se diga, não é comparável a Getúlio.
Francisco de Oliveira:
"Getúlio Vargas é o criador do moderno Estado brasileiro, sob todos os aspectos. Ele arma o Estado de todas as instituições capazes de criar um sistema econômico. E começa um processo de industrialização vigoroso. Lula, é bom que se diga, não é comparável a Getúlio.
Juscelino Kubitschek é o que chuta a industrialização para a frente, mas ele não era um estadista no sentido de criar instituições.
A ditadura militar é fortemente industrialista, prossegue num caminho já aberto e usa o poder do Estado com uma desfaçatez que ninguém tinha usado.
Depois vem um período de forte indefinição e inflação fora de controle.
O ciclo neoliberal é Fernando Henrique Cardoso e Lula. Coloco ambos juntos. Só que Lula está levando o Brasil para um capitalismo que não tem volta. Todo mundo acha que ele é estatizante, mas é o contrário."
No final é acossado pelo repórter que lhe pergunta:
- Mas, do ponto de vista da evolução e da função dos movimentos sociais, qual dos dois é preferível?
Responde: "Eis uma questão difícil. Os tucanos, com esse horror a pobre, tendem sempre a aumentar essa fratura, essa separação. Os tucanos não têm jeito..."