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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

GREVE TEM DATA PRA ACABAR DIA 17/09

Depois da matemática, a Geofísica já voltou às aulas.

Abriu-se a porteira, os 100 gatos pingados que votaram pela manutenção da greve não representam agora, como representaram no início, a vontade da categoria. Em termos matemáticos, 100 professores de um universo de 2266 representam 4,41%.

Se acham que representam, se acreditam ter legitimidade e compromisso histórico, deveriam utilizar a prática pedagógica do movimento grevista o piquete. Não esse piquete michuruca, consentido, de fechar portão, impedir a reitoria de trabalhar, menos nos dias de processamento da folha de pagamento, é claro.

Mas piquete, piquete mesmo, ir enfrentar os "fura greve", os "traidores de classe", que atrapalham o avanços das conquistas da categoria.
Não nos façamos de lesos, todos sabemos que além da Geofísica, de cursos de mestrado parados que já retornaram, na Medicina rolam soltas diversas disciplinas.
Por que não ir lá utiliando-nos da Maiêutica socrática, ou da dialética marxiana, ou marxista e convencê-los a aderirem à nossa causa?

Nos primórdios da ADUFPA, na primeira greve nacional em setembro de 1980, os piquetes foram usados e acho que acabaram dando certo.
Vou contar alguns episódios.
As áreas mais resistentes a aderirem às greves eram a medicina, odontologia e o direito. Fazia parte obrigatória da pauta das assembléias a divisão das tarefas, e havia portanto a comissão de piquetes.

O primeiro caso aconteceu na faculdade de Medicina.
Integravam o grupo, obrigatoriamente, os professores Heloisa e Raimundo Árias, médicos e únicos representantes do curso no movimento, o piquete da medicina precisa de mais voluntários. Candidataram-se os professores Paulo Sucasas, da Geociências; Olavo Galvão, Psicologia; e Ribamar Carvalho, hoje na UEPA. Os três usavam cabelo comprido, barba. O Suca rabo-de-cavalo. O Riba na ocasião uma camiseta do Che.
Chegam nas salas de aula e corria a notícia de que o pessoal da ADUFA estava lá fazedo piquete, na primeira sala, diálogo cordial.
Segunda, terceira....
De repente, entram na sala de um professor que era conhecido como Lobãozão, pai do professor Lobãozinho. Lobãozão adverte-os que não entrem, e, enquanto o grupo tentava argumentar, ele começa a tirar o cinto e aos berros gritava:
- ALÉM DE GREVE EU NÃO TOLERO, HIPPIE, COMUNISTA E MACONHEIRO!

Para o curso de direito foi mandado um time peso pesado: o presidente, Romero Ximenes, Zurita Leão, e Deusdeth Brasil.
Não chegaram a ter um mal resutado, mas a resistência não diminuia. Como ocoreu na medicina, a posição era sempre a mesma: "Não podemos aderir porque greve no serviço público é ilegal". Escreviam artigos nos jornais alertando para os perigos da greve, o que arrefecia os ânimos dos mais temerosos ou covardes, como muitos deles.
Eu era vice-presidente da ADUFPA e controlava o fundo de greve. Um dia fui procurado pelos três ameaçados de levar uma cinturãozada do Lobãozão, Riba, Suca Olavo e mais o Paulo Chaves e o Babá, que avaliavam que a situação no Direito não evoluiria na base do diálogo, teria deser feita uma ação intimidatória. Uma grande pixação nas salas de aula do curso por exemplo. Para isso precisavam de recursos para tinta spray, gasolina e para uma besteirinha. Concordei em fazer uma "expropriação revolucionária" no fundo de greve.
A operação era ariscada, as salas eram fechadas e tinham que ser arrombadas pelos balancim de fora, e as ações precisavam ser simultaneas para que não se perdasse tempo.
Nos dias que antecederam a "ação", dois professores se notabilizaram no combate à greve: Aluísio Meira, que publicara um artigo e uma professora que, em uma reunião, fôra chamada de burra por um aluno por sua posição anti-greve e declarara "Sou burra, sei que sou burra", os jornais estamparam afrase aprofessora.
A ação foi um sucesso, me avisaram de madrugada. Na manhã seguinte me ligou o Romero pedindo que eu fosse rápido ao curso de Direito que tinha amanhecido todo pixado.
Na sala do Aluísio, trabalho de grafiteiro: "O traidor também entra na História, lembrem Calabar". Na sal da professora estava "Sou burra sei que sou burra".
Estavam todos os diretores da ADUFPA e alguns Pecezões indignados. Armando Zurita valeu-se da teoria conspiratória: - É uma ação da direita para justificar a polícia entrar no Campus e acabar com a greve. Todos concordaram. Passou a ser a opinião oficial do Comitê Central da Greve.
Logo a notícia chegou à imprensa. Eram tantos jornalista, que o Romero dava entrevista para um lado e eu para outro, lembro que falei:
"A diretoria da ADUFPA deplora este ato de vandalismo, é uma provocação. Isso atentado ao espírito pacífico do nosso movimento.
Informamos à imprensa que com a ajuda de nossos colegas de Química, estamos providenciando a remoção dos grafites."
O Riba preparou um solvente mágico, os pixadores foram despixar junto com outros aflitos colegas. Os jornais publicaram as fotos, e o Direito parou de dar aula.

Não estou propondo ao comando ações clandestinas contra os atuais fura-greve. Nas greves se ganha mais, ou menos, veja aqui, um quadro elaborado pelo UOL a partir de fontes da ANDES.
Mas que um piquetinho, que daria ao comando um pouco mais de autoridade moral, de dignidade. Depois pra facilitar o comando tem um argumento tão simpático:

Companheiros é pra termos uma saida honrosa, já tá tudo combinado o fim da greve e como parto cezariano, já tem data marcada pra acontecer: 17 de sertembro.

O único objetivo da greve é bater recorde:
Indo até o dia 17, a greve terá superado e com folga os 112 dias da desastrada greve da 2005, que,em contrapartida, desgastou o movivento que desde esta época está há sete anos sem greve. Desde 1980 foram 15 greves que ocorreram com intervalos de 1 ou 2 anos, menos esta recordista de 112.

"Companheiros esta foi a mais longa greve de nossa trajetória de conquistas, ficamos parados mais que o recorde anterior, a grande e heróica greve de 2005 com 112 dias, nesta ultrapassamos os 120, uma mostrda nossa força vitalidade".

FORA DILMA!!!
FORA MERCADANTE, MERCADOR DO ENSINO PÚBLICO!!!
A LUTA CONTINUA!!!!

terça-feira, 4 de setembro de 2012

FACULDADE DE MATEMÁTICA DECIDIU ACABAR COM A GREVE

Titanic indo para o fundo graças a arrogância dos seus construtores.
Por insistir em sua tática suicida/oportunista a greve começa a ser parada pela sublevação das "bases". A FACULDADE DE MATEMÁTICA DECIDIU POR UNANIMIDADE VOLTAR ÀS AULAS.
Percebendo que a canoa tá virando o comando da greve se dividiu. É possível que na assembléia de amanhã surjam aqueles discursos heróicos:
Foi a maior greve dos últimos anos.
Demonstramos nossa indignação. 
Caiu a máscara da Dilma. 
O governo mostrou que está à serviço das corporações que querem privatizar o ensino. 
Nossa greve, companheiros, foi uma vitória!
E depois proponham o fim da greve, afinal, 
A LUTA CONTINUA!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

A UNIVERSIDADE NÃO É UMA CARVOARIA

Hoje passamos a palavra ao professor Fernando Artur, Pro-reitor de extensão da UFPA.

Prof. Dr. Fernando Arthur de Freitas Neves
Faculdade de História/UFPA

O direito à educação tem sido enfatizado ao longo de décadas por gerações de professores inconformados com as diminutas opções aos filhos das classes populares. Hoje, a sociedade do conhecimento demonstra a alteração nas condições que se efetivam na vida daqueles que conseguiram atingir o ensino superior. Temos presente o imaginário ativado à época do resultado do vestibular quando as famílias, literalmente, se inebriam de prazer por ver cravado um dos seus entrando na universidade pública.
Fazem muitos dias de greve, é preciso dizer, o responsável foi o governo Dilma por ter sido incapaz de cumprir minimamente o calendário das negociações com apresentação de propostas claras sobre um baú de muitas reivindicações legítimas da categoria docente. Neste vácuo, a ansiedade encontrou caminho na adesão ao movimento paredista conclamando ao governo sair da passividade e apontar quais eram as alternativas para assegurar uma remuneração adequada, condições de trabalho e expansão do ensino superior público e gratuito.
Parte do movimento docente acreditava na possibilidade real de negociação graças ao histórico recente imprimido desde 2007, quando foi conquistada na mesa de negociação a incorporação das gratificações, as reposições salariais consecutivas entre 2008 a 2010 e o emparelhamento entre professores ativos e aposentados, contudo a confiança não se constitui em molécula cristalina, precisa constantemente ser bombardeada com valor capaz de lhe oferecer estabilidade, caso contrário o esforço pode erodir-se rapidamente como vimos recentemente quando a grande maioria dos docentes viu-se libertada daquela relação de negociação não efetivada.
O estado brasileiro têm dificuldades em reformar suas estruturas; acaba por ser acochado por muitos lados, isso fica evidente nas relações promiscuas interna corporis no poder judiciário para aumento de salários acrescidos de uns cem números de penduricalhos, ancorado na disposição da autonomia daquele poder para gerar gastos, independente do comportamento da receita dos impostos; procedimento análogo tomam outros poderes da república que distorcem profundamente as folhas de pagamento, chegando a criar a miragem de que se um motorista no senado pode ganhar R$ 9.000,00 porque não um professor com doutorado? Esta forma de tratar a questão não resolve nada, pois se considerarmos valida esta tese, teríamos de parabenizar o motorista por sua escolha em orientar-se para ser motorista frente aquele que fez opção pela carreira acadêmica.Devemos recusar os vícios do estado patrimonial segundo o qual a burocracia é capaz de reforçar suas posições a facilitar sua reprodução. É preponderante subverter esta característica assinalando o caráter público do estado por via da expansão das ações das políticas que promovem a distribuição solidária da riqueza penalizando os meios de concentração do capital responsável pela difusão da pobreza. Tarefa para mais de uma geração.
Manifestações de desprezo pelo REUNI causa repugnância em mim. Foi este programa agressivo do governo federal o responsável pela alteração da queda do número de matriculas nas IFES, reaparelhou laboratórios, construiu edificações novas e criou o Programa Nacional de Assistência Estudantil cuja tarefa é oferecer suporte financeiro e acadêmico para alunos em condições de fragilidade socioeconômica. Segundo o censo de 2010 do MEC/Inep, as públicas duplicaram o número de matrículas em 10 anos, perfazendo um total de perto de 1.000.000, ainda estamos longe de um patamar representativo ante as muitas necessidades estratégicas de nosso país; as aproximadamente 5.000.000 de matrículas na rede particular estão relativamente estabilizadas. Não é possível crer ser dispensável essa contribuição da rede de ensino privada para formação universitária como sugerem algumas proposições ingênuas, tanto quanto o argumento casuísta dos já ingressos na universidade federal para aqueles que ainda não entraram nesta mesma universidade esperem até ela resolver todas suas deficiências para então acolher novos postulantes.
Sobre o perfil salarial dos professores universitários em França, constata-se que este gira em torno de R$ 7.600,00 mensais, portanto estamos em situação realtiva a este patamar; obviamente essa é uma comparação grosseira, alguns dirão de mau gosto, pois nossa produção acadêmica não serve para equiparar-se aquelas estruturas e tradições; o sistema público de saúde e educação francês funciona em melhores condições em relação ao sistema brasileiro. O acordo assinado pelo PROIFES assegura para março de 2013 um salário para o professor adjunto 1 de R$ 8.600,00, considerando que a maioria da categoria no país encontra-se nesta situação, e todos, absolutamente todos, desde o auxiliar até o titular foram contemplados, portanto esta é a melhor performance nos últimos 20 anos. Os percentuais de reajuste ao longo dos próximos anos seriam entre 13% e 32%, em março de 2013; 19% e 36%, em março de 2014; e 25% e 44%, em março de 2015.
Convém lembrar a aflitiva situação internacional a qual estamos atados e é compreensível a prudência do governo federal, independente das classes trabalhadoras não terem contribuído para crise financeira somos atingidos por muitos de seus reflexos. Meus colegas professores (só tenho três) na Europa vivem intranquilos com o alto grau de demissões nas universidades, mas eles só comprovam o que está impresso nas estatísticas. Émile Zola exclamava em seus escritos qual a responsabilidade dos operários com a especulação financeira dos ricos a punir com salários mais baixos e desemprego para os últimos não perderem seus luxos? Nenhuma.
O governo deixa a desejar no confronto ao grande capital, a esquerda foi tímida na propositura de transformar a especulação em investimento concreto nas forças produtivas e continua a validar o sistema produtor de mercadorias apesar da monumental crise, como resultado temos a permanência da sociedade de consumo que assegura reprodução ampliada do capital via os mecanismos de endividamento para manter sua rentabilidade. Este e outros receituários neoliberais alcançaram seu limite, alternativas fundadas em austeridade e corte de gastos só aumentaram a crise. Saídas mais ousadas como a apresentada por Sarah Wagenknecht, da esquerda alemã, cujo cerne é a redução das dívidas ao limite de 60% do PIB geraria um confronto aberto com o sistema financeiro, porém será preciso muito mais aliados para sustentar este campo. A resposta ortodoxa os gregos já vivenciam, mas diante de tantas chantagens e medos preferiram mais um arrocho. Devemos apostar no quanto pior melhor?
Estamos mais distantes da hegemonia neoliberal, mas esta não foi afastada. Recentemente no Congresso Nacional a proposição dos recursos alocados em educação fossem assinalados como investimento e não como despesa foi derrotada, caso obtivéssemos esta posição os recursos da educação deixariam de ser provisionados para formação do superávit primário para amortização do pagamento dos juros da dívida e teríamos fortalecido a constituição do capital de conhecimento necessário para aprofundarmos a oferta de oportunidades às classes populares. Devemos persistir no aumento do consenso sobre quais alternativas de outro mundo é possível.
Obviamente o horizonte continua sendo a equiparação da carreira de Ciência e Tecnologia para os professores do ensino superior público, entretanto é premente conceber táticas de efetivo movimento para postasse melhor na relação de forças no processo de negociação, o arquétipo paredista não traduz a intervenção contundente e necessária para conquistar objetivos legítimos. Ao ponto em que estamos às radicalizações costumeiras, como ocupações de prédios públicos e a hostilidade crescente contra colegas que recusam o pensamento único não agregará um único valor à greve, tão somente confirmará um caráter sectário. Ao invés de caçar o “inimigo interno” deveria perguntar-se como viabilizar a insatisfação dos professores para tornar intensa a práxis política.
A dor dos pobres não nos é desconhecida, no entanto, a insatisfação com o salário da universidade não deve ser equiparar a indignidade, isso fragiliza o conteúdo da reivindicação.
Os técnicos da universidade entraram em greve depois dos professores, e conseguiram a proeza de terem retornado ao trabalho com ganhos graças à clareza de objetivos; as defasagens foram minimizadas nesta mesa de negociação, aproveitando as sinalizações dispostas pelo governo, sem cair na tentação do tudo ou nada.
Isso é válido para os professores. Querem alguma vitória? Ou querem nesta única batalha derrotar o governo e o capitalismo?

terça-feira, 28 de agosto de 2012

AGORA A GREVE É CONTRA OS ESTUDANTES

Explico. Começo traçando um quadro da greve nas universidades e dos demais servidores públicos.

A greve começou fraca, parecia que não ia pegar, de repente se alastrou, se consolidou, ganhou força e visibilidade na mídia.

Assembléia que decretou a greve: concorrida.

A greve dos professores e funcionarios das IFES (Intituições Federais de Ensino Superior) juntamente com a greve dos sevidores da Polícia Federal, Receita Federal, médicos do Ministério da Saúder foi durante alguns dias o foco das atenções da mídia.
Estabeleceram-se negociações entre os diversos sindicatos e os respectivos ministérios. Houve avanços, acordos, tanto que algumas categorias começaram a voltar e o governo começou a endurecer com os servidores de carreiras de estado como fiscais e policiais federais.

A certa altura o governo anunciou que as negociações teriam que se encerar sexta-feira, 24, último dia hábil para incluir na proposta do orçamento de 2013 a ser enviado ao Congresso. O goveno também anunciou o corte de ponto dos funcionários faltosos.

É evidente que isso é um golpe mortal em greve de classe média.

Não se pode negar que as universidades tiveram um tratamento diferente do governo, tanto assim que os sindicatos que representam as categorias, o Proifes e dos serviores aceitaram as propostas.
Não que a proposta do governo seja o supra sumo, a redenção, foi o que a FORÇA da GREVE e as alianças políticas que o Movimento dos Professores e Servidores conseguiram conquistar. Foi o REAL, foi o POSSIVEL.

Veja o quadro atual:
1-O governo encerrou negociações com os servidores, pois a data base já foi ultrapassada, agora só 2013 para valer em 2014.
2- Várias universidades já voltaram ao trabalho e a tendência é aumentar.
3- Os sindicatos que representam a categoria um é a favor do fim da greve (PROIFES) e outro é contra (ANDES).
4- A greve das demais categorias só tende a se enfraquecer com o corte dos salários.
5- Agora o foco da mídia são os transtornos que a greve traz ao cidadão.

As assembleias esvaziadas.

Pergunta-se aos dirigente da Adufpa:
Vocês acham mesmo, que nesse contexto, o governo vai retroceder e reabrir negociações?

É CLARO QUE NÃO

E no íntimo muitos sabem disso, ou é caso clínico.

A greve agora é a aplicação da velha lição Leninista de "Agitação e Propaganda" é preciso criar no seio das massas, no ambiente social, um clima de "agitação" para que se possa fazer a "propaganda" das soluções dos problemas que agitam as massas. Neste momento esta é a tática do PSOL e PSTU, no passado foi a do PT.
E particularmente na UFPA interessa prolongar a greve para manter armado o palaque da Profa. Vera Jacó, candidata à reitora na próxima eleição.

É por isso que agora a greve não é mais para desgastar o governo. O governo já avaliou o desgaste, contabilizo-o e assumiu uma posição.
Por isso agora a greve é contra os estudantes, os vestibulandos, estes é que são as vítimas dos interesses partidários e pessoais que sustentam esta greve.

Sem representatividade.

Eu tenho certeza que a maioria dos profesores, que no início apoiou a greve, agora não apoia mais.

Tudo bem, podem me charmar de reacionário, de direitista do que quiserem.
Mas eu vos faço um desafio.

Em vez deste modelo de governança consagrado pela burguesia, que é a democracia representativa, onde se elege um sindicato para representar os interesses da categoria, ou um parlamento para representar a população, eu faço uma proposta Anarquista, governo direto, vamos fazer um plebiscito, para ouvir a opinião dos professores, de todos os professores.

O movimento perde o rumo.

Se o resultado for pela manutenção da greve, eu prometo imprimir e engolir 100 cópias deste post aqui, onde houve esta grotesca cerimônia medieval de queimar a Dilma, que, como se vê, contou com a participação de muitas centenas de professores.

domingo, 12 de agosto de 2012

GREVE: É MELHOR PARAR OU SEREMOS PARADOS

O professor Benedito Ferreira, comentou, no seu Face, sob o título:Debatendo com as "análises"que surgem, o meu post: TÁ NA HORA DE PARAR A GREVE.Colocou "análises" entre aspas para significar que minhas "análises" não eram assim tão análises.Vou comentar a análise dele sobre a minha "análise".
 1- A categoria apoiou a greve, não por estar contra o governo Dilma, muito votaram nela e continuarão votando.
 2- A categoria apoiou a greve por achar que os salários dos professores não são dignos quando comparados a outras categorias do serviço público e, sobretudo, porque não correspondem importância que a Constituição da República, a sociedade e o atual governo, conferem à Educação.
3- A categoria quer resultado quer que se assegure um nível salarial compatível com o seu papel social:
- Pai, eu quero um iPad, os meus colegas já tem.
 - Mãe, eu quero uma roupa, mas tem que ser de marca.
 - Por que vamos ter que adiar aquela viagem à Paris, a vizinha do 303 vai passar o Revellion lá com o marido e os dois filhos?
- Esse carro está muito velho, não mudo há três anos!
Aspira-se uma carreira com níveis salariais que despreocupem destas questões de ordem mais simbólica, exigências da sociedade de consumo, que de sobrevivência, e assim possamos, de fato, fazer do magistério uma opção profissional. Isso não quer dizer que as bases sejam alienadas e burras como muitas vezes se lamentam as vanguardas.
Vivemos em um mundo onde "ser é ter" e isto pressiona nossa familia e a nós mesmos. Assim como, as vanguardas utilizam o silêncio da maioria, para turbinar o movimento, a maioria também se utiliza das lideranças: não precisamos nos preocupar, eles lutam por nós. Mas atenção, até o momento que não forem prejudicados: desconto dos dias parados, por exemplo.
- Percebe que os sindicatos não estão, de fato, lutando bravamente por uma educação pública de qualidade, etc. Sabe que a luta é por salário. Como dizia Delfin Neto: o bolso é o orgão do corpo humano mais sensível a dor.
- Entende também o jogos dos interesses político-eleitorais destas disputas. Um erro dos dirigentes sindicais é se focar no que rola nas assembléias, (50-150 professores, + ou - 5% do universo) e não focar na maioria (mais de 2.260 professores) que nunca se interessou muito em saber o que distingue Andes de Proinfes. Não percebe, porque são imperceptíveis à olho nu, as diferenças entre as propostas do Andes, do Proifes e nem qual é a proposta do governo e o que foi negociado. Querem ver a tabela do salário: Quanto a mais vou ganhar depois da greve? Se não recompõe integralmente a inflação dos últimos 3-4 anos, se beneficiou mais os professores adjuntos ou os associados, isso são detalhes tão pequenos que só os dois sindicatos conseguem entender. O importante é o quanto nominalmente se incorpora ao poder de compra.
No final de sua análise Benedito conclama: NÃO É HORA DE RECUAR. O PRÓPRIO GOVERNO DÁ SINALIZAÇÕES DISSO...
DISCORDO: Não vejo sinais de recuo do governo, pelo contrario. Devemos prestar atenção, a grande mídia, normalmente contraria aos governos do PT, já está se posicionando contra a greve.
O governo em relação às outras categorias já recorreu à justiça. Tem dado um tratamento diferenciado aos professores, mas o discurso será: já demos o que podíamos. Para os professores demos mais que para outras categorias...
Agora o Advogado Geral da União foi claro: Reitores que pagam salários de grevistas devem responder por improbidade."A improbidade por parte dos reitores estaria acontecendo "porque o desconto é um dever do administrador. Não é um direito, não é uma faculdade". Adams declara que "a faculdade que a greve oferece, que a lei oferece, é negociar os dias parados". Já durante uma situação de greve é preciso haver uma "suspensão da relação de trabalho". E essa suspensão significa "que o servidor não está obrigado a prestar o serviço, mas também o patrão não está obrigado a pagar"."
Evidente que gostaria que pudéssemos ter conquistado mais. Porém quero ver o movimento docente forte e não desmoralizado. Ainda temos muito o que fazer até que seja removido todo o entulho autoritário, herdado do passado e alguns remendos absurdos que fomos colocando em cima deste tecido velho.
Temos que sair da greve, como dizia o seu xará Benedito Valadares: Nem tão rápido que pareça fuga nem tão de vagar que pareça provocação.
A hora é agora! Parecerá fuga se sairmos com a ameaça, cada vez mais concreta, da suspensão do pagamento.
Aí os "mesmos" farão para os "mesmos" aqueles discursos heróicos:
Foi a maior greve dos últimos anos,
 Demonstramos nossa indignação,
 Caiu a máscara da Dilma,
O governo mostrou que está à serviço das corporações que querem privatizar o ensino.
Nossa greve, companheiros, foi uma vitória!
Já fiz muito isso, faz parte da coreografia do sindicalismo.
É melhor reconhecer agora que há ganhos e continuar a luta para melhorar o projeto no Congresso do que posar de vitorioso em meio à debandada geral, que virá quando cortarem o ponto.
 Tens toda razão, nossa luta não se ESGOTA com esta greve, mas acho, que esta GREVE JÁ SE ESGOTOU.

 P.S.: Lebrem-se quando o governo FHC, que foi um governo muito diferente do Lula e do Dilma no tratamento com as universidades, cortou o ponto, voltou todo mundo "triste de orelhas tombadas", depois disso foi muito difícil fazer outra greve, o movimeto perdeu muita credibilidade, talvez seja por este erro, que esta seja a "maior greve dos últimos tempos".

Este post esta sendo republicado pois a formatação anterior causou problemas em todo o formato do blog.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

TÁ NA HORA DE PARAR A GREVE

Antes que algum jovem (ou velho) docente venha me chamar de pelego, dou logo minha carteirada:

Sabe com quem está falando?

É na condição de fundador da ADUFPA, de seu primeiro vice-presidente, de presidente por dois mandatos, de fundador da ANDES que dou aqui minha opinião:

ESTÁ NA HORA DE PARAR A GREVE!

Ela já deu o que tinha que dar.
Saber parar na hora certa é demonstração de sabedoria política.

Lembro-me da primeira greve nacional de docentes, ainda sob o potentado de João Figueiredo que no jogo da "Abertura" escolheu um professor universitário, um intelectual, para o Ministério da Educação, Eduardo Portela que se imortalizou com a frase que desafia quem quiser traduzí-la para o inglês:

Não sou ministro; estou ministro.

Disse-a depois de ter apoiado a greve nacional dos professores.

Foi substituído pelo general Rubem Carlos Ludwig.

Há muita diferença entre aqueles tempos tenebrosos e estes bem mais solares, mas ali, naquele momento colocou-se a mesma questão: manter heroicamente a greve ou recuar?

Eu, Riba, Ciríaco, e tantos outros éramos dos que defendiam "ir prá cima, aproveitar o desgaste da ditatura para enfraquece-la mais". (Derrubá-la, palavra com gosto de mel em tempos de cólera)

O "Movimento Docente" foi sábio, recuou.
Mesmo se não houvesse ganho no contra-cheque, os professores obrigaram a "Abertura" a tirar a máscara: não havia diálogo, como queriam demonstrar com o ministro-professor, mas intimidação, arrogância, autoritarismo, mediocridade; talvez simbolizadas nas quatro estrelas do general.

Este recuo tático permitiu que pouco depois, na UNICAMP - eu estava lá - a ANDES fosse fundada com tanta força.

Hoje, muito do que É a universidade pública brasileira deve-se à luta dos docentes, tanto nos acertos como nos erros.

E se tivessemos mantido a greve?

E se a mantivermos agora, quando objetivamente tivemos ganhos alcaçados em cenário econômico adverso?

E se a Dilma com sua popularidade, agora turbinada com a "prensa" nas operadoras de celular, for pra televisão e mostrar que o governo negociou, que atendeu diversas reividicações?

E se os alunos do vestibular começarem a pressionar?

E se muitos professores começarem a voltar?

E se os campus do interior deliberarem pelo fim da greve?

E o que é pior, se o governo cortar o salário?

Como já aconteceu no principado de FHC, volta todo mundo de rabinho entre as pernas.
Não sei se a firmeza ideológica de algumas lideranças, o compromisso com a universidade pública de qualidade das bases, resiste ao vencimento do cartão de crédito?

Antes de simplesmente me esculhambar, analise, pondere o que escreví.
Se achar que nada mudou, que está tudo a mesma bosta, veja o Ministro Ludwig tratando na maior, o tema da mensalidades para a universidade pública, e mais...