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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Pró-reitor da UFPA, em flagrante delito, desrespeita direito autoral

Fui visitar a exposição Oswald Goeldi: Poesia Gravada, no Museu da UFPA, como de costume, estava fotografando com o celular quando fui advertido pela monitora que não podia fotografar.
Perguntei de quem era a ordem.
Me disse que tanto da curadoria da exposição como da diretoria do Museu.
Tentando ser didático, mostrava as logomarcas de quem financiava a exposição. Tudo dinheiro público.
Quanto ao Museu, desconheço no regimento da UFPA, alguma norma que proíba fotografar seu patrimônio.
Disse para a monitora que iria continuar fotografando pacificamente, que iria colocar no meu blog e que iria incentivar as pessoas a desobedecerem essa mania idiota que agora esta se estabelecendo em Belém.
É proibido fotografar na Igreja de Santo Alexandre, na Catedral, e agora, pelo que soube, no Museu da UFPA.

E sai fotografando a exposição e o Museu...




Duas coisas tem que ser combatidas:
Primeiro essa tentativa do Capital de se apropriar, tornar privado os bens da cultura humana sob o nome de direito autoral, de propriedade intelectual, direito de imagem.
A cultura é um processo histórico ininterrupto produzido coletivamente.
É um bem comum da humanidade. Se deve remunerar os seus produtores da mesma forma como se remunera ou autores de outras atividades humanas.
Essa história de ter que se pagar cada vez que exibir, reproduzir, expor, cantar, é dar um privilégio que nenhuma outra forma de produção humana dispõe. Exceto quando se trata de fins lucrativos, é claro.
Nem brinque de falar isso perto de um "artista" será apedrejado.
Vamos falar claramente, me dêem um exemplo de um "artista livre" totalmente produzido e sustentado pelo mercado, um "artista liberal".
Artistas e produtores culturais vivem pendurados nas tetas do estado, mamando subvenções, vejam o caso recente do Blog de Bethânia.
A exposição de Goeldi, um neto de Emílio Goeldi, o fundador do nosso Museu Paraense, foi totalmente sustentada com recursos públicos diretos: Governo Federal através do Ministério da Cultura e Universidade Federal do Pará e indiretos, renúncia fiscal, através da Lei de Incentivo à Cultura da qual se beneficiou a Vale que aparece como: patrocinadora.


Como vêem, não há um centavinho de recurso privado. Pretendem ser financiados ilimitadamente com recursos públicos, mas querem limitar os direitos de fruir o que ali está exposto, só se pode ver lá, não posso fotografar, registrar no chip do celular/câmera, neste complemento eletrônico indispensável para o complexo ente pós-humano que formanos, para o qual o velho hardware biológico já não é suficiente para armazenar e gerir tanta informação. Hoje o ato de fotografar e depois blogar, tuitar ou feicebucar, faz parte de nosso processo cognitivo, ou pelo menos de memorização. Só ver não basta, a câmera do celular, quase já universalizada, é extensão do olho e da memória, registra, armazena, e distribui.
Se o evento cultural é para ser visto, nenhuma mídia disseminará mais do que as fotos divulgadas e comentadas pelos visitantes nas redes sociais. Porém se pouco importa quantos visitem ou não, pois o que importa é que o evento já pagou, donos de acervos, fundações, produtores, curadores, captadores, lobbystas. Se já produziu relatórios e clippings, então cultuar o mito do direito autoral, da arte como mistério, como coisa distante intocável, elitista, inatingível, tem tudo a ver.
E se o visitante for um professor de uma escola da periferia ou do interior e não poder trazer meus alunos, mas dispõe de um computador na escola. Se pudesse fotografar, poderia compartilhar com seus alunos?
Paro aqui, pois tudo conspira contra a estupidez desta proibição.
O Ministério da Cultura não deveria destinar verba pública para caixas pretas, para projetos que não sejam auto-replicantes.

O outro, é o delírio de grandeza provinciano de proibir fotografar o interior das nossas igrejas ou dos nossos museus.

ESTAMOS DE ACORDO: FLASH É PROIBIDO 

Se fotografar a Monalisa, no Louvre, pode.


Se os tesouros do Museu do Vaticano, pode.




Se a Basílica de São Pedro, também, pode.


O que será que tem assim tão especial, ou tão sutil, na nossa Catedral, em Santo Alexandre, no Museu de Arte Sacra e no Museu da UFPA, que não pode ser fotografado?
Que tesouro escondido, que uma vez descoberto, renderá tanto direito autoral que salvará as finanças da SECULT, UFPA e da Arquidiocese?
Será que só os nossos curadores tupinambás tem esta agudíssima percepção estratégica, para a qual não despertou a História da Arte Universal?
Se eu fosse mais novo, e ele também, iria convidar o Paulo Chaves para em uma ação Situacionista  invadir/ocupar/fotografar todos estes edifícios públicos (Museu da UFPA e Complexo Sto Alexandre), ou financiados com recursos públicos (Catedral), e publicar na WEB as fotos para que mais contribuintes, que sustentam estas iniciativas, possam a elas ter acesso.


Ocupar fotografar: A Catedral
A igreja de Santo Alexandre
O Museu da UFPA

P.S.: Estou enviando email com o link deste post para a minha profa. Carmen Cal, atual diretora do Sistema Integrado de Museus, SIM.
Para o Pe. Gonçalo, Cura da Sé.
Para a Jussara, diretora do Museu da UFPA e para o Reitor Carlos Maneschy, que, tenho certeza, não esta informado desta interdição.