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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Regina, musa, ubalda e filósofa

A Regina Alves foi a musa das redações dos anos 70, sempre culta e sagaz suas conversas eram sempre iluminadas, para provocar a feminista que queimara para sempre o sutiã, eu brincava: - Maninha, tu és tão inteligente que pareces homem. Depois, nas horas vagas começou a dar aulas na UFPA. Sumida das rodas se dedica a uma tese de doutorado, mas como isso tudo é pequeno demais para ela, agora nas horas vagas é filósofa amadora, e lê ensaios do Ernesto Sabato sobre o tempo e me envia por email trechos magníficos, que vou publicar abaixo.
Ah sim, Ubalda! Porque está sempre vendo uma conspiração que nas próximas horas, arrastará o gênero humano, ou o planeta, ou o cosmos para algum buraco negro.
Ernesto Sabato:
"É impossível o homem permanecer humano a essa velocidade; vivendo como autômato, será aniquilado. A serenidade, uma certa lentidão, é tão indissociável da vida do homem quanto a sucessão das estações para as plantas ou para o nascimento dos bebês.
(...)Já nada se move a passo de homem. Por acaso algum de nós ainda caminha lentamente? Mas a vertigem da velocidade não está somente fora, nós já a assimilamos à mente que não pára de emitir imagens, como se também ela fizesse zapping."

Para encerrar, em homenagem à Regina e ao Sábato escutem Devagarinho do Martinho da Vila.