Reproduzo artigo de 16/07/2011 de Luiz Felipe de Alencastro, cientista político e historiador, é professor titular da Universidade de Paris-Sorbonne, na França.
Colunista do UOL Notícias
A ameaça de calote em certos países da União Europeia (UE) e o impasse político sobre a dívida pública dos Estados Unidos levaram alguns comentaristas a estabelecer paralelos entre as duas crises.
Gideon Rachman, editor-chefe do serviço internacional do jornal britânico "Financial Times" expôs os dados do problema. Segundo ele, os EUA e a UE se desenvolveram seguindo padrões históricos distintos.
De um lado, haveria o modelo europeu baseado no intervencionismo governamental e no Estado de bem-estar social (Welfare State), ou seja, nas garantias da saúde e do ensino público e de uma legislação protetora dos assalariados. De outro lado, o modelo americano, fundado na iniciativa privada, na livre empresa e na flexibilidade do mercado de trabalho.
Contudo, defende Rachman, os dois modelos enfrentam atualmente os mesmos entraves : "O problema básico é o mesmo. Os Estados Unidos e a União Europeia têm suas finanças públicas fora de controle e possuem sistemas políticos que não conseguem resolver o problema. A América e a Europa estão afundando no mesmo barco".
Prolongando a discussão, o editorial do jornal parisiense "Le Monde" situou a reflexão numa perspectiva histórica : "Os filósofos terão que estudar um dia esta características das democracias ocidentais deste começo do século 21: elas estão todas gravemente endividadas. Além do mais, essencialmente, este endividamento público precede a crise financeira de 2008-2009".
Um dos colunistas da revista "Economist" (que assina sempre com suas iniciais, M.S.), retomou o assunto no contexto global. Frente à crise econômica das democracias ocidentais, observa M.S., o crescimento da China enfraquece o argumento de que a democracia é uma condição necessária para o progresso econômico.
No final das contas, os desdobramentos da crise econômica e governamental na UE e nos EUA trazem de novo à ordem do dia as interrogações sobre a eficácia dos regimes políticos ocidentais e sobre os valores intrínsecos da democracia.
Para além do caso da China, tais dúvidas dão de novo destaque às vias políticas e econômicas seguidas pelos diferentes países emergentes. Neste contexto, a consolidação do grupo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), segundo a formulação elaborada pela economista Jim O’Neill, (o qual desconsidera a inclusão da Africa do Sul no grupo, visto que o país possui apenas 50 milhões de habitantes), oferece à democracia brasileira todo a sua singularidade.
De fato, o Brasil é o único país dos Brics que se apresenta como uma plena democracia (ao contrário da Rússia e da China) e que não tem graves clivagens étnicas ou ameaça de conflito atômico com seus vizinhos (caso da Índia).
Para ler diretamente no sitio UOL, aqui.
Luiz Felipe de Alencastro, cientista político e historiador, é professor titular da Universidade de Paris-Sorbonne, na França.
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segunda-feira, 1 de agosto de 2011
sábado, 15 de janeiro de 2011
Será o Brasil está preparado para se pensar diferente ?
Quando escrevi REP, PUB e LICA - A república no Brasil no dia 15 de Novembro, tinha intenção de fazer logo um outro post que o complementasse.
Só agora estou conseguindo.
Queria responder a pergunta com a qual terminei a postagem.
Será que estamos preparados para pensar-mo-nos diferentes?
A resposta é no estilo Gilberto Gil, sim OU não? (com ênfase maior no ou).
Não, se continuarmos pensando-nos pequenos, medíocres, sub-desenvolvidos, incapazes de assumir um papel de protagonismo na história da humanidade.
Sim, se olharmos nossa história como ela, com suas vicissitudes, suas ignominias, mas também com suas grandezas, com a nossa capacidade de adaptação a mudanças, a nossa capacidade de conviver com extremos, com a nossa amabilidade, com as virtudes que o processo de mestiçagem nos propiciaram de forma única no mundo, com peculiaridades que nos colocam em vantagens competitivas em relação a outros neste momento.
(Atenção, não estou falando em destino manifesto como fizeram os pais da pátria estadunidense, com todas as conseqúências deste entendimento; nem de Sebastianismo e Quinto Império, falo aqui de um arranjo de condições favoráveis que devem ser bem aproveitadas)
Partindo desta percepção e deste compromisso conosco e com a humanidade temos que repensar nossas estruturas sociais e políticas com a responsabilidade de quem caminha para ser, em breves anos, a quinta economia do planeta.
Recentemente o senador Aécio Neves falou da necessidade de refundar o PSDB no que foi contestado por um grupo paulista do partido.
Precisamos REINVENTAR o Brasil.
Precisamos REINVENTAR nossas mentalidades, nosso imaginário, nossas organizações políticas e sociais.
Este Brasil, que caminha para ser potencia mundial, não pode mais ser governado pela ideário de um partido de sindicalistas, nem por um outro que, em sua vertente serrista, comportou-se muito mau nas últimas eleições presidenciais, incentivando atitudes que já pareciam banidos na república brasileira.
Neste sentido tanto Lula, quando escolhe para sucedê-lo uma dirigente política advinda da área técnica e não do sindicalismo, e Aécio, podem estar convergindo, não para um único partido, mas para a necessidade de superar o atual quadro ideológico, político e partidário do Brasil, adaptando-o a este projeto nacional que, com marchas e contra-marchas, vem sendo construído desde o inicio do século 20.
Mas uma vez atenção, aqui não estou falando de nacionalismo, nacional-socialismo ou de frente nacional como é corrente.
Isso vai ter que passar por uma nova constituinte, que eu não sei como vai ser convocada nem quando, só arrisco dizer que não poderá ser dominada pelos interesses dos atuais partidos políticos brasileiros, principalmente que não tenha no PMDB o seu Condestável, mas pela sociedade deste novo Brasil que já vem descendo a ladeira.
Tomará que sim.
Só agora estou conseguindo.
Queria responder a pergunta com a qual terminei a postagem.
Será que estamos preparados para pensar-mo-nos diferentes?
A resposta é no estilo Gilberto Gil, sim OU não? (com ênfase maior no ou).
Não, se continuarmos pensando-nos pequenos, medíocres, sub-desenvolvidos, incapazes de assumir um papel de protagonismo na história da humanidade.
Sim, se olharmos nossa história como ela, com suas vicissitudes, suas ignominias, mas também com suas grandezas, com a nossa capacidade de adaptação a mudanças, a nossa capacidade de conviver com extremos, com a nossa amabilidade, com as virtudes que o processo de mestiçagem nos propiciaram de forma única no mundo, com peculiaridades que nos colocam em vantagens competitivas em relação a outros neste momento.
(Atenção, não estou falando em destino manifesto como fizeram os pais da pátria estadunidense, com todas as conseqúências deste entendimento; nem de Sebastianismo e Quinto Império, falo aqui de um arranjo de condições favoráveis que devem ser bem aproveitadas)
Partindo desta percepção e deste compromisso conosco e com a humanidade temos que repensar nossas estruturas sociais e políticas com a responsabilidade de quem caminha para ser, em breves anos, a quinta economia do planeta.
Recentemente o senador Aécio Neves falou da necessidade de refundar o PSDB no que foi contestado por um grupo paulista do partido.
Precisamos REINVENTAR o Brasil.
Precisamos REINVENTAR nossas mentalidades, nosso imaginário, nossas organizações políticas e sociais.
Este Brasil, que caminha para ser potencia mundial, não pode mais ser governado pela ideário de um partido de sindicalistas, nem por um outro que, em sua vertente serrista, comportou-se muito mau nas últimas eleições presidenciais, incentivando atitudes que já pareciam banidos na república brasileira.
Neste sentido tanto Lula, quando escolhe para sucedê-lo uma dirigente política advinda da área técnica e não do sindicalismo, e Aécio, podem estar convergindo, não para um único partido, mas para a necessidade de superar o atual quadro ideológico, político e partidário do Brasil, adaptando-o a este projeto nacional que, com marchas e contra-marchas, vem sendo construído desde o inicio do século 20.
Mas uma vez atenção, aqui não estou falando de nacionalismo, nacional-socialismo ou de frente nacional como é corrente.
Isso vai ter que passar por uma nova constituinte, que eu não sei como vai ser convocada nem quando, só arrisco dizer que não poderá ser dominada pelos interesses dos atuais partidos políticos brasileiros, principalmente que não tenha no PMDB o seu Condestável, mas pela sociedade deste novo Brasil que já vem descendo a ladeira.
Tomará que sim.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
REP, PUB e LICA - A república no Brasil
Nossa história republicana foi também a história de uma auto-imagem muito negativa de nossa gente e de nosso país.
O país dos coitadinhos, da geografia da fome, da seca, do retirante nordestino.
A pobreza foi, quase sempre, a matéria-prima da nossa criação artística.Quando nos tornamos mais urbanos que rurais, a violência das cidades, a favela, a invasão, o narcotráfico, passaram a ser a nossa principal auto-referência.
Se isso tudo tem tido o propósito de denunciar nossas iniqüidades, também nos vem cegando para nossas virtudes.
Outro defeito nacional foi o menosprezo pelo nosso passado, os personagens da nossa história foram sempre vistos como medíocres ou violentos; bons eram os heróis americanos, aliás nós não nos víamos como americanos, mas como sul-americanos sub-americanos; e não como habitantes do novo continente, do novo mundo, do novo, com todo o significado que isso pode ter.
Ah, se os franceses ou os holandeses tivessem derrotado os portugueses nas invasões e tivéssemos sido colonizados por eles!
Este estado depressivo se manifesta na descrença nas instituições políticas e democráticas, achamos que safadeza e corrupção - e a grande imprensa parece se esforçar em demonstrar isso - são criações brasileiras, não percebemos as máfias, os golpes, os trambiques nos governos dos países do lado de cima do planeta.
Nem percebemos quantas coisas estão mudando nesta terra descoberta por Cabral.
Não percebemos que hoje a obesidade é um problema de saúde pública mais presente que a desnutrição. ( O que já era fato desde o lançamento do Fome Zero). Que em breve, pela mudança da nossa pirâmide etária, mesmo não tendo resolvido nossos problemas na educação, escolas serão desativadas transformando-se em abrigos para idosos (como na Europa), sinal do aumento na expectativa de vida.
Que a introdução de tecnologia de informação, com a urna eletrônica, tornou o processo de apuração eleitoral da democracia brasileira o mais confiável e eficiente do planeta.
Pois é, será que estamos preparados para pensar-mo-nos diferentes?
Pois é, será que estamos preparados para pensar-mo-nos diferentes?
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