quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O Carnaval na Cidade Velha

Atendendo a inúmeros pedidos, quase todos de uma só pessoa, no caso a Miss Adelaide Pratinha, vou me manifestar sobre o assunto, esta semana está de matar!
Alguns princípios e um pouco de memória:
A cidade é de todos, assim como o céu, o mar, o ar, logo se ficarmos nestas generalidades estratosféricas podemos cometer injustiças a alguns destes todos.
O que quero dizer é que a cidade é de todos, mas são os moradores do bairro que sofrem as consequências quando o Carnaval passa e deixa um rastro de sujeira e mau cheiro.
Veja o vídeo que fiz ano passado.



Acho que o que acontece na Cidade Velha deve ter uma dimensão que não agrida o seu já precário sistema de convivência, não acho compatíveis as que atraem grande número de pessoas, veículos, vendedores ambulantes que longe de preservar, de requalificar, podem estar contribuindo para desvalorizar mais o bairro.
Tradições não se criam de uma ano para outro, tradições existem. Os exemplos de São Luís, Salvador, Recife, não se aplicam. O antigo Carnaval de Belém nunca teve palco na Cidade Velha, ele acontecia na Praça da República, com Batalhas de Confete na Pedreira, Telégrafo, São Brás, depois foi mudado sem choro nem vela para Doca, de lá para a Aldeia Cabana. Isso tudo levou um Carnaval, que chegou a estar entre os melhores do Brasil, a ir perdendo o vigor até que as divergências entre PSDB e PT levaram parte dele para Ananindeua.
No auge dessa crise, Belém ficava tão calma e silenciosa que cheguei a pensar, já que estamos fora do circuito do Carnaval-business que prosperou no Nordeste, poderimos atrair para cá, gente que não gostasse de Carnaval, para outras atividades tipo festival de cinema, de música erudita, etc.
Enquanto isso movimentos de resistência cultural tentavam reviver o Carnaval de Belém, agora nas ruas e praças na Cidade Velha. Com o passar dos anos essa manifestação vem tomando uma dimensão que tem sido objeto de reclamação por parte dos moradores do bairro.
Este crescimento atrai interesse comercial de pequenos e grandes comerciantes de cerveja e o líquido das latinhas vai parar na frente da casa dos moradores que, com justa razão reclamam e o poder público não cumpre suas responsabilidades na higiene e na segurança pública.
Domingo passado as coisas chegaram a um nível tenso o que levou a uma série de movimentações, a meu ver, positivas.
Acho que as medidas que foram tomadas envolvendo Ministério Público, Governo do Estado e Prefeitura podem atenuar os problemas, precisaria ainda convocar à responsabilidade social os fabricantes de cerveja.
Também defendo que a concentração dos blocos seja nas praças Felipe Patroni, Dom Pedro II e do Relógio. Além de diminuir as tensões com os moradores colocaria em cheque os poderes. Já imaginaram quando o prefeito, os deputados os juízes chegarem ao trabalho na segunda-feira e virem aquela imundice.

P.S: Já tem pilantras dizendo que este Carnaval é ecológico ou já está atraindo turistas. Apliquem !!!!

4 comentários:

  1. Flávio, como morador da cidade velha, concordo com seus argumentos.

    aqui em casa agradecemos pela sua defesa de nosso bairro

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  2. Concordo com tudo, e louvo o P.S.

    Moro em Ananindeua, onde Carnaval é época de ruas emporcalhadas, e já curti algumas vezes a brincadeira na Cidade Velha, onde é possível notar a tristeza de muitos moradores.

    Neste ano de 2011, principalmente, estive em certo domingo no qual presenciei cenas insanas de ordem (i)moral e (não)higinênica, que pra mim revelam um desrespeito enorme dos organizadores do evento à população do bairro.

    Este carvanal, ao final de tudo, é uma agressão ao bom viver de quem mora ali.

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  3. Maria do Carmo Oliveira10 de fevereiro de 2011 15:01

    Prof. Flávio

    O que voce acha das festas do Açaí Biruta?

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  4. além do inconveniente do lixo e falta de higiene reclamado, carnaval na Cidade Velha poderia (com providências prévias) ser mais criativo. Por exemplo, adotando tema de velhos carnavais. Seria bairro temético para a quadra. Acho que Olinda-PE faz isto um pouco.

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